quinta-feira, 14 de abril de 2011

QUEM É??


Eu havia iniciado este post há alguns dias atrás e acabei deixando de lado por conta da correria. E resolvi terminá-lo nesse momento. Já são quase duas da manhã e acabei de chegar a minha casa.  Estava iniciando o dia 15 de abril ao lado de uma pessoa que tem uma importância ímpar em minha vida. Nada de mais, apenas uma voltinha na cidade e um lanche. Alguém pra quem dedico este post. Resolvi intitulá-lo como “Quem é?”

Quem  é que me aguenta quando acho que não vou dar conta?
Quem é que vez ou outra fica conversando comigo no MSN até uma da manhã, fofocando, trocando experiências ou tentando entender o que ainda não entendemos? Ou então quem é que dorme por cima do computador e me deixa falando sozinha?
Quem é que me incentiva quando acho que o meu mundo está sem cor?
Quem é que quando pensa nos obstáculos que a vida dar, me diz que me tem como exemplo?
Quem é que me chama pra sair e demora mil anos pra se arrumar?
Quem é que nas baladinhas precisa beber pra festa ficar boa?
Quem é que rir das besteiras que falo, mas que também escuta quando digo que quero chorar, ou quando digo que estou com raiva?
Quem é que me diz: Mana eu já queria ter o que ainda não tenho. E sempre respondo: Calma! Não se afobe, tudo virá no seu tempo.
Quem é que foi capaz de passar por tudo o que passou pra se tornar bombeira? Toda lascada, passando por coisas que eu jamais imaginei que seria capaz de passar.
Quem é que me contou chorando que foi obrigada a cortar o cabelo quase joãozinho por conta do trabalho?
Quem que neste mesmo período fez uma falta imensa na minha vida por conta da academia? Afinal nos falávamos todos os dias e de uma hora pra outra eu não tinha mais com quem conversar todas as manhãs...
Quem é que vez ou outra durante o plantão me chama pra conversar no MSN durante a noite pra tentar ver se o tempo passar mais rápido?
Quem será a minha ortodontista daqui a alguns anos?
Quem é que se acha feia, mas que na verdade era uma linda menina quando conheci e hoje é uma linda mulher?
Minha linda e adorável amiga... Mais um ano que passamos juntas. Saibas que sempre estarei com meu celular a sua disposição não importando a hora que for.
As lembranças que tenho de nossa amizade são as mais diversas, indo das mais tristes até as mais alegres. Nossos sorrisos literalmente foram se transformando ao longo destes 12 anos de amizade.
Obrigada por compartilha comigo a sua vida, as suas neuras, suas angustias e suas alegrias. E principalmente por me permitir compartilhar com você a minha vida...
Feliz Aniversário mana... Não preciso dizer seu nome, pois quem convive comigo sabe de quem estou falando e você também sabe que é pra você!


Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende! (Machado de Assis)

terça-feira, 5 de abril de 2011

DE VOLTA PARA UM LUGAR DE ONDE NUNCA SAÍ...

Não tenho o costume de postar 02 textos seguidos. Até por conta da correria do dia a dia. Mas eu não podia deixar de falar de um dia muitíssimo importante para mim.
Ontem se iniciou um novo ciclo em minha vida. E esse ciclo tem um significado muito importante. Voltei a Universidade como mestranda. Tem horas que paro e penso, e é como se a ficha ainda não tivesse caído. Como se a minha vida continua-se igual, mas em seguida vejo que não é mais igual. O ritmo mudou. Agora até mesmo o ar parece diferente. É complicado explicar o novo, mas acredito que quem já passou por um ritual de mudança  entende o que estou querendo dizer.
 Há exatos 08 anos atrás entrei nessa mesma Universidade como uma estudante de graduação. Era uma jovem insegura, receosa com o que me aguardava. Tudo era novidade. E aos poucos fui me encantando com tudo e com todos ao meu redor. Tantas pessoas passaram por mim. Umas apenas passaram, outras permanecem até hoje.
A Universidade tem um simbolismo muito enraizado na minha trajetória. Não há como dizer que entrei e sai da graduação do mesmo jeito. Não há como dizer que fui apenas uma acadêmica que cumpria seus horários de aula e ia pra casa. Não! Com certeza não foi assim. Costumo sempre dizer que eu vivenciei cada dia que passei enquanto aluna.  Vivi a Universidade de segunda a segunda. Pregando cartazes nos murais, fazendo passeatas nas ruas da cidade, fechando BR, invadindo a reitoria, reivindicando melhorias estudantis. Participando da Rádio, do Centro Acadêmico, do famoso DCE e fazendo parte de um grupo de pesquisa. Fora tudo isso ainda estagiava de manhã e estudava a tarde. Era beeem intenso o ritmo!! 
Depois da graduação continuei a vivenciar, mas apenas como expectadora e não mais como participante. Mesmo assim estive sempre presente. Por conta do meu trabalho estive na Universidade todos os dias úteis e passei a observar os estudantes e pensar que tudo aquilo que eu estava apenas a observar já tinha sido o meu dia a dia. 
Agora volto novamente a ser uma estudante da Universidade que sempre me acolheu. Minha história com a UNIR é quase uma história de amor. Aos longos destes anos vi prédios sendo construídos e cursos sendo criados. O próprio Mestrado que hoje me acolhe, vi e vivencie quase todas as turmas. Estava presente na aula inaugural da primeira turma, e ontem, não mais como apenas ouvinte. Ontem a aula era a minha. Era pra mim! Faço parte da VI Turma do Mestrado em Geografia. Tenho muitas lembranças ao longo dos 08 anos. Umas não tão boas, mas a grande maioria são lembranças carregadas de saudade.
Ontem fiquei feliz e um tanto quanto emocionada em ouvir as palavras do atual Coordenador do Mestrado. Pois ele também estava presente naquela primeira aula inaugural da I Turma. Estava como aluno e hoje após terminar o Doutorado em menos de 03 anos é professor da Universidade e Coordenador do Mestrado.
 Fico feliz também em ver que amigos da graduação hoje estão muito bem. Alguns já mestres, outros assim como eu ainda estão no caminho. E fico mais feliz ainda por não ter perdido contato com alguns. Hora ou outra nos reunimos para matar a saudade e isso é muito bom. Volto sempre renovada após os encontros.
Brinco com uma amiga dizendo que um dia voltaremos como professoras. Mas isso é outro ciclo que só Deus sabe a sua hora. É como sempre digo: tudo vem na sua hora certa e nada acontece por acaso.
Finalizo aqui desejando que esse novo ciclo traga-me as mesmas vibrações que o ciclo da graduação me deu.

Para ouvir uma música que tem tudo haver com a minha relação com a Universidade. Ouvi muito ela durante a graduação. E o engraçado é que a tradução casa com o meu momento atual.


segunda-feira, 4 de abril de 2011

REALIDADES DIFENTES! A PESQUISA CONTINUANDO...

Como eu tinha dito no post “10 mulheres e uma pesquisa”, a pesquisa não pode parar! Sendo assim, mais um fim de semana foi dedicado ao trabalho de campo, mas desta vez não descemos o rio madeira, fomos pela estrada. Nossa pesquisa se dá em dois locais, sendo um a comunidade ribeirinha e o outro um assentamento. Desta vez fomos visitar o Assentamento Joana D’arc III. Diga-se de passagem, é o local onde se dará a minha pesquisa de mestrado.
Pois bem, o intuito dessa visita virar um post é justamente para dar a visão de uma realidade totalmente diferente da minha realidade, e acredito que diferente da realidade de muitos que podem ler esse texto, afinal todos devem ter acesso a muitos benefícios e tecnologias que esses assentados não têm.   
A começar pelo acesso. Estrada em péssimas condições. O que deveria ser feito em uma hora, levamos quatro pra chegar. A estrada na época de chuva vira lama e na época da falta de chuva vira uma poeira só. É uma verdadeira vergonha! Como pode ser tão perto da capital e tão distante de tudo.
Não sei se para nosso azar calhou de irmos no período de chuva. Em alguns trechos da estrada a lama era tanta que se tornava quase impossível passar e como era de se esperar o ônibus em que estávamos atolou. O jeito foi descer e ajudar de alguma forma. Não sei se também foi bom ou não, mas atrás de nosso ônibus estava um carro da TV globo de jornalismo indo fazer uma reportagem a respeito justamente da educação nos assentamentos. Indo falar a respeito de como anda as aulas dos alunos. E se deparou com nosso ônibus atolado. Pra eles deve ter sido excelente nos encontrar atolados na estrada, afinal é a realidade dos alunos. Enfrentar estradas em péssimas condições para chegar à escola.
Em segundo falar sobre a saúde. Ou seria a falta dela? Simplesmente não há sequer um posto de saúde para atender essas pessoas. Segundo informações colhidas por uma moradora, não há posto de atendimento e quando o médico aparece, ele costuma ficar em outro assentamento, distante desse em que eu me encontrava. Ou seja, se alguém passar mal e der a sorte do médico se encontrar no outro assentamento, ainda  tem dar o jeito e tentar chegar até lá.
O INCRA é o órgão responsável pela doação das terras para essas pessoas. Mas ai penso: Do que adianta o ser humano ter a terra se ele tende a acabar saindo dessa terra pela falta de tudo. Ou quando não morre por lá mesmo. A impressão que me fica que é uma forma do governo excluir essas pessoas. Doa-se uma terra bem distante de tudo depois fica sendo o que Deus quiser.
Se na cidade já é ruim o acesso a tudo, imagina lá onde não há quase nada. As pessoas são carentes de tudo! E quando falo tudo, é tudo o que você possa imaginar. Saúde, educação, moradias em boas condições, saneamento, lazer.
Vi homens e mulheres que fazem do seu dia a dia uma luta de sobrevivência, e mesmo assim se sentem agradecidos por estarem morando em um lugar que supostamente é deles. Falo supostamente por que segundo eles, ainda não possuem o documento expedido pelo INCRA dando a posse.
No dia de nossa visita apareceu por lá o Secretário de agricultura e representantes de vários órgãos falando bonito e prometendo fazer e acontecer. Eu espero sinceramente que essas promessas não sejam apenas promessas.
E já que acabei falando de promessas, ontem ao entrar no facebook, vejo um post onde aparece o Sr Governado deste Estado falando justamente das melhorias das estradas para ajudar a vida do produtor rural. Ah! Tenha a santa paciência. E ainda alguns baba ovo dando coro as palavras. O governo não faz mais do que a obrigação. Ao invés de fazer festa chamando a imprensa para mostrar projeto, deveria agilizar os trabalhos e depois sim mostrar o serviço pronto.  Com certeza na frente da casa dele e dos demais governantes não falta asfalto e quando passam mal devem até ter médico indo fazer visita em casa.
Quando eu disse que o intuito era demonstrar a diferença entre as realidades, eu quis demonstrar o quanto nós em uma grande parte do tempo, somos egoístas e sempre estamos achando que nada está bom. Que nossas vidas estão chatas, que não ganhamos o suficiente, que nossas casas não são equipadas dos melhores aparelhos eletrônicos. Estamos sempre querendo mais. Não estou criticando, apenas quero dizer que  é olhando para fora do nosso mundo é que somos capazes de ver que há pessoas que vivem com muito menos e que necessitam de muito mais do que nós desejamos.
Devo ir a Joana D’arc III muitas outras vezes e sei que sempre voltarei com a cabeça diferente da que fui.



Música: Admirável gado novo – Zé Ramalho